Texto do meu pai na Zero Hora…


Zero Hora – Porto Alegre, 08 de agosto de 2009 | N° 16056


Gripe A, escola e benefícios, por Danilo Gandin *

Há um provérbio, aceito por quase todos, dizendo que “há males que vêm para o bem”. Sua importância não está em tentar nos consolar quando algo sai errado, mas em nos avisar de que, quase sempre, podemos retirar o bem daquilo que parece um mal.

Veja-se a suspensão das aulas por causa da gripe A. Sem discutir se era ou não necessário fazer isto, sobra-nos o fato: os alunos não terão aula durante 15 dias e quase todos consideram este fato como algo ruim. Mas, se olharmos com cuidado, descobriremos vários benefícios, alguns automáticos e outros que teremos de garimpar.

Muitas dessas crianças e adolescentes terão ocasião de conviver mais com seus pais e com seus irmãos. É um período em que somos aconselhados a evitar aglomerações e, por isto, ficaremos mais em casa, aprofundando nossas relações. Além disto estas alunas e alunos construirão vivências com vizinhos e conhecidos porque deles poderão aproximar-se com bastante frequência. Penso que será incrível a oportunidade que terão de criar, em grupos, uma variedade de coisas novas, tanto materiais quanto psíquicas e espirituais. Quantos livros, revistas e jornais poderão passar por suas mãos neste período que, ao final, nos chama com força para o estudo individual e em pequenos grupos!

Para os pais, é um momento de planejar e de aprender. Não é fácil manter crianças e adolescentes ocupados com proveito durante tempos longos. Mas os pais sabem que muitas vezes isto é necessário sem recorrer unicamente a computadores e a televisões. Será necessário sentar-se com calma, como num conselho familiar, e com coordenação diretiva, já que são pais, mas sem violências impositivas quanto ao que se escolhe, elaborar um plano cuidadoso sobre como passar utilmente este tempo.

Para os professores é uma bênção. Estes profissionais, talvez os mais carentes de tempo, poderão atentar a alguns pontos sempre deixados para depois. Primeiro, ler algum bom livro, qualquer um. Por exemplo, um ótimo livro de planejamento escolar, especialmente algum para organizar o trabalho em sala de aula. Depois, repensar, de preferência com os colegas, o processo educativo de nossas escolas, a interferência boa e má de nossas autoridades e os horizontes que são capazes de nos livrar do papel burocrático de “dar” aulas e nos elevar ao nível de sermos adultos ajudando crianças a se educarem. Por fim, revisar os programas para o resto do ano, pelo menos para dividir as lições entre as que são imprescindíveis, as que são importantes, as que podem ajudar e as que são supérfluas.

Haverá, na comunidade, muitos que lamentarão a falta de algum conteúdo preestabelecido. Mas todos os professores sabem que isto não traz grandes problemas. Também não devemos ficar aflitos com o fato de termos de recuperar as aulas. Como não se pode fazer o que seria o certo – decretar que o tempo roubado pela gripe seja lançado como “perdas e danos”, pois, ao final, não muda nada quanto à eficiência da escola –, já que não se pode ou não se quer fazer isto, então se programe um tempo, no fim do ano, para fazer esta recuperação de forma participativa, alegre e lúdica, visando àquilo que é essencial em nossas aulas.

*PROFESSOR, ESCRITOR

Disponível em
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2610385.xml&template=3898.dwt&edition=12868&section=1012

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