Encontro de gerações nas escolas – A interação entre escola, pais e alunos

By Adriana Beatriz Gandin  & Elisa Becher Ávila

Nos últimos anos, podemos perceber uma aceleração do tempo, do modo de ver e de fazer as coisas, do jeito de produzir e de aprender. E a tecnologia é decisiva na criação de marcas de tempo. O intervalo entre gerações, que antes era de 25 a 30 anos, ficou mais curto. Hoje já se fala em uma nova geração a cada 10 ou 15 anos. E isso significa que mais pessoas de diferentes gerações estão e estarão convivendo em ambientes como o trabalho, a escola e em casa.

Muitos pais e professores nasceram num tempo em que a televisão era o principal meio de comunicação. Conforme Franco e Santos Neto (2010), esses mesmos pais e professores convivem hoje com crianças e jovens que estão, quase todo o tempo, numa realidade tecnológica e virtual muito mais avançada do que aquela que eles experimentaram. As crianças e adolescentes de hoje já nasceram no mundo em que internet, celulares, computadores, tablets, videogames, redes sociais etc. são considerados parte da realidade e, portanto, indispensáveis.

A questão é como a escola pode lidar com as diferenças entre as gerações, tornando-se um espaço de convivência pacífica, de tolerância, de respeito e, conforme sua finalidade, de aprendizagem e construção de conhecimento?

Entender as características e como cada geração pensa e age pode minimizar alguns problemas e melhorar as relações. Nossa intenção, portanto, é apresentar as particularidades de cada geração, não assumindo tal caracterização como uma verdade acabada e generalizada. Trata-se de esclarecer traços específicos de cada geração que, se reconhecidos, podem ser melhor trabalhados e respeitados. A seguir, de acordo com Viana (2008), passamos a apresentar cada geração e suas características.

Com o final da segunda guerra e a volta dos soldados para casa, muitas mulheres engravidaram. Houve um “boom” de bebês.  Por isso, a geração que começou a partir desse fato histórico é chamada de “Baby Boomers”. É formada por pessoas que nasceram entre 1946 e 1964 e que tinham como ideal reconstruir o mundo no pós-guerra. É a geração que, no Brasil, viveu a ditadura e que conviveu com os militares no poder. Valorizavam a segurança e a estabilidade no trabalho e nos relacionamentos. Os integrantes da geração baby boomers têm hoje entre 48 e 66 anos de idade.

Já os integrantes da chamada geração X, nasceram entre 1965 e 1978. Essa geração é formada por pessoas que passaram pelo movimento hippie, pela revolução sexual, e, no Brasil, pelas “Diretas Já”. Viram a tecnologia e a internet iniciar, lutaram pela paz e pela liberdade, mas, por outro lado, viveram, no Brasil, crises econômicas e o desemprego. Portanto, também é uma geração que apresenta certa rigidez, uma vez que aprenderam que só é possível conquistar algo por meio de muito trabalho e de muita responsabilidade. Essa é a geração da maioria dos pais e professores, que tem hoje entre 34 e 47 anos.

Os integrantes da geração Y, aqueles que nasceram entre 1979 e 1992, são os que consolidaram a revolução tecnológica e a globalização e que convivem com a diversidade de uma forma mais natural e sem preconceitos. Tem a necessidade de melhorar o mundo e de ser diferente. É a geração da agilidade e da rapidez, movida pela preocupação com o sucesso profissional. Os integrantes desta geração são pessoas preocupadas com seu bem-estar e com o prazer. Participativos, buscam atualização constante e estão sempre em busca de desafios. São pessoas que têm hoje entre 21 e 33 anos.

A Geração Z, dos nascidos após 1993 e que estão, portanto, na faixa de 0 (zero) a 19 anos, é a única geração que não teve migração para era digital, pois já nasceram na era virtual. Segundo Wiesel (2012), os nascidos nessa geração têm perfil altamente tecnológico e multitarefas em um mundo quase essencialmente virtual. Para esses indivíduos, prevalece a obsolescência (as coisas perdem valor rapidamente). É a geração dos empreendedores natos, que vivem os benefícios trazidos pela geração Y, porém são ainda mais imediatistas.  É a geração que está na escola de educação básica e que não tem muita paciência para entender a desconfiança e a rigidez da geração X, por exemplo. São impacientes e com a tecnologia à disposição, conseguem informações e se comunicam instantaneamente e virtualmente. Por isso, têm muita dificuldade para lidar com as estruturas tradicionais das escolas e também com os relacionamentos interpessoais.

Por passarem muito tempo sozinhos, estão acostumados a fazer as coisas de forma independente, do jeito que querem e quando querem. Por isso, também apresentam problemas em lidar com a autoridade e em dividir.

Podemos perceber que a construção da personalidade e dos valores das novas gerações, principalmente da geração Z, está acontecendo de forma bastante diferente daquela das gerações anteriores. Houve uma ruptura na forma de ver o mundo e as mudanças estão acontecendo mais rapidamente. As gerações Y e Z estão, mesmo que sem perceber, transformando ou mesmo derrubando os conceitos criados e consolidados pelas gerações anteriores.

Para Franco e Santos Neto (2010), os jovens hoje são considerados preguiçosos ou menos inteligentes que indivíduos das gerações anteriores, nas quais a cultura era baseada em conceitos tradicionais. Porém, ao menor sinal de liberdade, mostram-se muito inteligentes e capazes de criar coisas fabulosas. No entanto, esses jovens são também vítimas de seu tempo, visto que muitos pais ainda estão presos a outros paradigmas e muitos professores estão despreparados para lidar com as questões acima apontadas, acomodados e aprisionados a velhos modelos, resistentes a uma compreensão mais ampla do processo de ensino-aprendizagem. Alguns deles não conseguiram se libertar completamente da noção de trabalho/emprego e educação/escola que herdaram da outra geração e não conseguem lidar com a aparente falta de responsabilidade dos filhos e alunos.

Aos pais, cabe maior envolvimento não só na vida escolar dos filhos, mas em todas as instâncias, pois a qualidade da educação começa dentro de casa.

À escola, frente às novas realidades e às constantes mudanças, é confiado também o papel de fazer com que as diferenças entre as gerações sejam diminuídas e respeitadas. Portanto, buscar aproximar-se e entender o jeito de pensar e aprender das novas gerações, principalmente a Z, será decisivo para construir um melhor processo de ensino-aprendizagem. É fundamental que a escola se aproprie de ferramentas pedagógicas novas, que são bastante familiares para essa geração. Buscar atividades de integração entre a família, os alunos e a escola e promover momentos de escuta dessas gerações, devem fazer parte das atividades das instituições que procuram maior entrosamento entre a comunidade escolar e que, tentando compreender e buscando alternativas para solucionar problemas, prosperem na missão de formar cidadãos conscientes para construção de um mundo melhor.

Referências

FRANCO, Edgar Silveira; SANTOS NETO, Elydio dos. Os professores e os desafios pedagógicos diante das novas gerações: considerações sobre o presente e o futuro. Revista de Educação do Cogeime.  Ano 19, n. 36. janeiro/junho 2010. Disponível em: Acesso em: 28 set. 2012.

VIANA, Fernando. Os novos tempos: convivência das gerações X e Y nas empresas. 2008. Disponível em: Acesso em: 29 set. 2012.

WIESEL, Gilberto. As novas demandas das gerações X, Y e Z. Congresso Educacional Da América Latina Educar/Educador, 2012. Disponível em: Acesso em: 28 set. 2012.

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