Inteligência Coletiva

Vídeo com os melhores momentos do evento Inteligência Coletiva.

Acesse e conheça >> http://professoresinquietos.com.br

 

Anúncios

DOSES HOMEOPÁTICAS DE SABEDORIA – PARTE 7

Sigo comentando um pouco o que está no item 5. Há conteúdos disciplinares que serão necessários para a participação no campo do trabalho. Poderão ser cursos técnicos para os que já cursaram o ensino médio ou para os que o estão cursando. Podem ser cursos específicos para uma profissão determinada ou cursos mais amplos, que abranjam uma introdução geral a uma área de trabalho, para pessoas que, depois, buscarão um trabalho específico em empresa e aí se especializarão. Poderão, também, para estas pessoas, haver cursos rápidos, para uma preparação imediata a um trabalho de menor exigência. Senai, Senac, Senar… já fazem isto, mas a oferta ainda é pequena e a agilidade para adequação rápida ao mercado ainda não existe. É bom acentuar duas coisas a respeito: não se pode fazer diferença, para entrada no ensino superior, entre estes alunos e os que seguirem um ensino médio comum (tratarei disto ao falar no vestibular); tudo isto só faz sentido para um país em desenvolvimento no qual o ideal de todos cursarem, pelo menos, o ensino básico e os que quiserem ingressar no ensino superior terem a possibilidade, não pode, ainda, ser realizado.

Texto de Danilo Gandin

Doses homeopáticas de sabedoria – parte 6

6. Repito: as disciplinas são importantes para especializar; os cursos superiores não podem trabalhar transdisciplinarmente porque as disciplinas são imprescindíveis para o aprofundamento necessário. Sobretudo a partir do século dezoito as disciplinas passam a ter importância cada vez maior porque cada ser humano não podia mais dominar o conhecimento que se avolumava rapidamente. O modelo de escola atual, esquematizado naquele século, nasce disciplinar porque – parecia – o conhecimento repartido em fatias poderia ser dominado por todos. O desenvolvimento infindável do conhecimento e as condições humanas após as duas grandes guerras inviabilizaram este modelo: as cabeças mais ilustradas, desde o último quartel do século passado, insistem no holismo, na necessidade de não limitar o ensino a algumas disciplinas e de alargar os horizontes do saber. Até a UNESCO sintetiza uma proposta pedagógica, possível entre outras possíveis: “aprender a aprender, aprender a ser, aprender a fazer e aprender a conviver”. A escola, quando nela trabalham pessoas sensatas, debate-se entre realizar algo deste tipo e passar poucas disciplinas obrigatórias (que, nos discursos, fora do que escrevem, as autoridades educacionais chamam de sugestões).

Texto de Danilo Gandin

Doses homeopáticas de sabedoria – parte 5

5. Vejam como funcionaria a transdisciplinaridade total no ensino básico. (Apontarei, adiante, processos, já possíveis hoje, que não vivenciam a transdisciplinaridade total, mas que caminham para ela). A transdisciplinaridade supõe o cancelamento de qualquer disciplina, embora conteúdos disciplinares possam e devam, algumas vezes, ser trabalhados por pequenos períodos. Na prática, cada turma de alunos, preferentemente agrupados por idade, teria apenas um professor para ajudá-los a estudar questões da natureza e temas ligados à sociedade e à cultura, com a finalidade de que cada um busque sua própria identidade, domine ferramentas para participar na sociedade, assuma um compromisso social, viva algum tipo de transcendência e se abra para crescer indefinidamente. Esta proposta não visa a diminuir o leque de trabalho e de estudos, mas a quebrar limites e a abrir horizontes incomensuráveis. (Esta reflexão está compacta demais: voltarei para uma análise).

Texto de Danilo Gandin

Doses homeopáticas de sabedoria – parte 4

4. Meu propósito é voltar depressa a falar na transdisciplinaridade. Mas preciso, antes, afirmar uns pontos que são fundamentais. Não se trata de fazer da escola um lugar de superficialidade. É preciso que se tenha clareza sobre o que se quer alcançar e, junto com isto, que se saiba caminhar na direção do que se quer. A escola terá que ser espaço onde as pessoas, talvez principalmente os alunos, busquem sua própria identidade e se apropriem de instrumentos para participar na sociedade. Isto significa trabalhar em três frentes: a dos valores, a das habilidades e a dos conhecimentos, estes resumidos em duas dimensões, a de conhecer, cada vez mais, a natureza e a de compreender melhor a sociedade e a cultura. Para isto é necessário um processo de planejamento que seja participativo e que seja ferramenta para propor um rumo, para analisar a prática à luz desse horizonte e para determinar o que se vai ser e o que se vai fazer para caminhar na direção de tal horizonte.

Texto de Danilo Gandin