Refletindo sobre educação… Alunos e Professores…

Uma brava guerreira no corpo de menina
Texto de Eliana Mara Chiossi

No último sábado, aconteceu outro encontro inquietante: os professores inquietos, sob a regência de Adriana Gandin, reunidos para descobrir as potencialidades dos usos de novas tecnologias, como o IPAD, para renovação no modo de fazer as aulas acontecerem. No meio do encontro, chega uma convidada especial, já esperada por nós.

Entra na sala uma mocinha, quase menina, magrinha, cabelos cacheados, tímida e aparentemente frágil. Depois de ser apresentada, ela inicia sua participação, mostrando seu ponto de vista, enquanto aluna, sobre o atual estado da educação. Ela está no segundo ano do Ensino Médio de um colégio particular de Porto Alegre.

Após alguns minutos, o que eu via ali na frente era uma guerreira, com coragem suficiente de falar, para uma plateia de professores, que ela não acredita que o sistema educacional possa continuar do jeito que está. Que há alunos que pensam como ela. E que do jeito que a escola anda funcionando parece muito semelhante a um sistema industrial ou uma prisão.

Ao mesmo tempo que ela não estava dizendo algo novo, certas reações indicavam que ela dizia algo parecido com uma heresia. Como poderia uma aluna chegar diante de professores e simplesmente por o dedo na ferida que não cessa? A escola, do jeito que está, ou muda ou sucumbe.

E esta mocinha disse isso, do fundo de seu coração puro, com coragem, com determinação, porque ela quer mais, ela não quer apenas ser aprovada no Vestibular, ela não quer mentir para ser aprovada. Ela quer acreditar no que acontece dentro da escola, para poder acreditar que a escola quer fazer um mundo melhor.

Quando ela saiu, senti que ficou um vazio, desses vazios escandalosos, que fazem barulho. Era preciso seguir nosso roteiro. Era preciso fazermos nossas atividades. Mas talvez se fosse possível, poderíamos ter ficado em silêncio, por algum tempo, deixando que as palavras desta menina nos atingissem, na mente, no corpo, na alma. Nós, que estamos buscando diariamente a coragem para manter a inquietação, a coragem para fazer da educação aquilo que ela precisa fazer: a diferença. E só se faz diferença sendo corajoso suficiente para fazer diferente todos os dias.

 

 

 

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